SIMPLES ASSIM


Eu que disse

Pois é gente, atendendo aos milhares de leitores deste blog, que anseiam por um layout decente e todas aquelas outras coisas que pessoas reclamam, um novíssimo blog foi criado. Não um blog qualquer, um blog onde eu, nada mais nada menos que Cíntia Freitas, digo coisas. O link: Eu que disse.

Quanto ao vigor do Simples Assim, esse blog que me acompanhou durante esses últimos muitos tempos, não garanto muita coisa. Continuará aqui, não se desesperem. Mas provavelmente postarei só lá. Não me abandonem, ok? Prometem?

O primeiríssimo post já está lá, bonitinho, só esperando. Os detalhes rosas podem ser apenas provisórios. Agora que o Blogger ficou bem mais fácil de mexer, ninguém me segura. E sim, eu sou preguiçosa, primeiro a tecnologia evolui para ficar efetivamente fácil, depois eu a utilizo.

www.cintiadisse.blogspot.com  



Escrito por Cíntia Freitas às 12h37
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Beleza pura ou com limão?

Escrito por Cíntia Freitas às 11h55
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Video Game

Estava lá eu, mais de tia do que de qualquer outra coisa - tenho mil funções anyway. A sala estava lotada de protótipos de gente, fazendo o que os protótipos de gente do sexo masculino mais gostam nessa idade: jogando video-game.

Eu, desempenhando o papel que melhor me cabe, enchendo o saco dos pirralhos, resolvi me focar em um especial. Ele estava do meu lado, fazendo o que protótipos de gente do sexo masculino mais gostam, nessa idade, depois de jogar video-game: jogando mini video-game. Eis que eu, em um movimento de impressionante rapidez, catei o negócio da mão do moleque, pra ver se o jogo prestava. Pokemón. Bom, agora que peguei e ele tá me observando com essa cara de intrigado, vou continuar minha missão.

Levando o bonequinho para onde dava, seguia o jogo de maneira pacífica. De repente:

- Você tá indo pelo caminho errado.

Ignorei solenemente o pivete, apertando qualquer botão do mini negócio super tecnológico, só de raiva. Passaram-se mais alguns instantes, quando ouço:

- Você CONTINUA no caminho errado.

Ligeiramente irritada pela petulância do bonitinho em questão, retruquei:

- E daí? O que acontece se eu for pelo caminho errado?

- Você não vai pelo caminho certo, ué.

Podia ter passado sem essa, fala sério.



Escrito por Cíntia Freitas às 21h19
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O exílio

Uns dias atrás, sob sol escaldante, no centro da cidade, me deparo com um pirata. Sabe aqueles tiozões que sempre aparecem em filmes interpretando piratas sujos e desbocados? Pois então. O cara provavelmente foi pagar uma conta no banco, estava relativamente limpo para um pirata, não usava aquelas roupas características, mas tinha um 'tic' no olho e um cabelo comprido meio branco meio dourado (não estilo dourado-verão, diga-se de passagem, dourado-tio-véio mesmo) preso mal e porcamente; mas era definitivamente um pirata.

Ok, se não fosse pelo fato de hoje, esperando pela minha consulta no médico, eu ter visto uma bruxa daquelas bem bruxas mesmo entrando no consultório. Ela vestia uma roupa estranha, meio marrom. Um sapato combinando com absolutamente nada e unhas impecavelmente roxas. O cheiro dela tomou conta do lugar, era doce. Mas não daqueles doce-jovem-bonita, era doce-poção-com-aroma-gostosinho-para-atrair-crianças. Será que os personagens das histórias e filmes estão sendo liberados do exílio?



Escrito por Cíntia Freitas às 21h21
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Html

Quem acompanha o blog sabe que eu e o Html nunca nos demos muito bem. Algumas pessoas tentam forçar nossa relação, mas não dá. Mesquinho e complicado, ele me enoja. Por sempre tentar simplificar as coisas e achar que vogais são necessárias na vida de uma pessoa, ele não é nem um pouco simpático comigo.

Em um desses vinte dias em que estive desaparecida por aqui, abri o Simples Assim e descobri que não estava lá muito contente com sua cara boba. Procurei, procurei, mas aquelas opções de layout não me agradavam. Não posso dizer que não tinha opções: Natal, Adolescente, Apaixonado, Páscoa em flash e assim segue. Tá achando ruim, faz melhor - juro que se eu soubesse, eu faria. Mas não sei, então, estamos retornando ao antigo layout. Vale ressaltar que minha querida mãe teve grande influência nessa decisão.

Nessa de procurar os layouts, chamei a minha mãe para contribuir com sua opinião. "- Ah, são bonitos, mas eu ainda prefiro o preto e laranja". Pronto, decidido. Você faz juras de amor eterno a uma blusa, promete ser enterrada com os trapos que dela sobrarem, mostra para sua mãe e ela não gosta, ou faz 'aquela cara'. Já era, tudo por água abaixo. Mesma coisa com layout de blogs. Aí estamos nós novamente.  



Escrito por Cíntia Freitas às 17h41
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Enquanto isso

 

Ela sempre soube que servia para alguma coisa. Talvez para muitas, às vezes sentia receio em assimilar, mas sabia. As coisas pareciam um pouco mais organizadas agora, não devido ao esforço que realizava. Definitivamente não. A música se tornara parte vital em sua existência. Uma das partes em que nunca se acomodaria.

O dia estava claro, o sol brilhava lá fora, mas fazia frio. Perfeito. Olhou-se no espelho, não se reconhecia. Havia deixado de acreditar na existência das respostas novamente. Mas não era isso o que a tornava irreconhecível. Estava de fato diferente. Um vazio que outrora se fazia desesperadamente agonizante, agora estava mais silencioso. Ela ouvia sua voz, mas já não dava tanta atenção. Andou vagarosamente até a mesa, sentou-se na cadeira desconfortável e apoiou a cabeça sobre as mãos. Fechou os olhos. Tinha trabalho a fazer, sabia que valeria a pena. De repente se deu conta de que também não estava mais acreditando nas mentiras que contava à si própria, e quando ela deixasse de acreditar na mentirosa que era, não sabia o que aconteceria. Gostaria de apenas poder admitir, falar em voz alta tudo aquilo que gostaria. Mas não achava que isso de fato mudaria alguma coisa.

Ele, enquanto isso, deitado no sofá novo, olhava para o teto, pensando. A melodia era suficiente por enquanto. Filho da mãe.



Escrito por Cíntia Freitas às 19h36
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Carnaval

 

E entra a família no carro. Época de carnaval e apesar do calor, estávamos no contra-fluxo. Mas nada disso importa de fato, a questão está na família dentro do carro, e conseqüentemente, nas colocações feitas ali, durante o caminho.

Minha irmã: - Que aeroporto é esse?

Eu: - Da TAM, não tá vendo?

Minha irmã: - Aeroporto, idiota.

Em alguns raros momentos de silêncio, eu podia sentir minha irmã, logo ao lado, pensando nas coisas que estava vendo lá fora. E de repente era surpreendida com informações muito, muito intrigantes.

Minha irmã: - Acabei de ver o carro da Super Nanny.

Eu, eufórica: - SÉRIO??

Minha irmã: - Aham.

Eu, eufórica: - Como você sabe que é da Super Nanny?

Minha irmã: - Porque eu vi o programa da Super Nanny.

Eu: - VOCÊ VIU A SUPER NANNY LÁ DENTRO DO CARRO??

Minha irmã: - Cíntia, eu vi um carro igual o da Super Nanny, só que de outra cor, cinza.

Nem sei por QUAL motivo eu fiquei tão alterada com o caso da Super Nanny, sendo que nem assisto o programa, e nem gosto muito da figura da tal babá. Mas, enfim.

Meu pai (num típico comentário de pai-levando-a-família-para-viajar): - Nossa, é muito legal esse lugar, né?

Eu: Pai, é tudo mato. - já tinha passado por várias situações frustrantes até aquele ponto, não passaria sozinha.

Quando finalmente chegamos ao destino, que realmente era muito legal, eu, ainda com um certo peso na consciência por ter cortado o comentário super-pai-viajante do meu pai, disse "- Ah! Agora sim hein! Não temos só mato, temos matinhos podados aqui!"



Escrito por Cíntia Freitas às 00h49
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Uma questão de genética

 

A seguir, a prova de que certas coisas não mudam.

Minha vó e meu vô na cozinha, Cíntia de espectadora.

- Vai comer a manga? - pergunta gentilmente minha vó.

- Não, agora não. - responde meu vô.

- Vai comer, sim.

- Não, não, mais tarde.

- Vai deixar de lembrança?! Vai? Não vai!

- Ai minha Santa Onofra!  (expressões de vô, mesmo)

Vai comer sim, tó.



Escrito por Cíntia Freitas às 17h10
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Quatro notificações

 

E então passou o meu aniversário, o final de férias, o primeiro dia de faculdade, e todas essas coisas sobre as quais eu não vou falar. Vim para notificar quatro coisas observadas tanto no caminho de ida, quanto no de volta.

1. Na calçada fazia sol, na rua chovia. Nunca tinha visto isso. Eu andando, linda e seca na calçada, enquanto a chuva, do meu lado, molhava o asfalto. Nuvenzinha apressada essa, nem pra esperar um pouco e chover com as outras.

2. Sempre que passo por aquela casa, o portão está aberto. Uma vez até tentei fechar, mas fez muito barulho. Vai que o tio deixa o portão aberto porque confia no povo de sua cidade; não vou ser eu quem vai acabar com a credibilidade da população, né?!

3. Ainda não defini se gosto ou não do barulho de passos.

4. Ô coisinha feia, guarda-chuva. Da próxima vez, repare o quanto as pessoas ficam estranhas segurando esse negócio. Tomemos chuva, mas nos poupemos de imagens esquisitas (ah é, aham).



Escrito por Cíntia Freitas às 17h49
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A complexidade da parada

 

Volto de (pasmem) viagem, e me deparo com todas as novidades ocasionadas pela ausência internética durante a semana. Dezenas de emails não lidos, muitos comentários para serem aceitos, blogs alheios à todo vapor e por aí vai. E é lógico que tudo isso acontecia enquanto eu estava lá, decidida a não voltar para a internet tão cedo. É sempre assim. Mas enfim, I´m back, e de quebra, ainda tenho alguns dias de ócio, digo, férias, para me atualizar.

Dentre as pendências, fui requisitada a participar de duas (até onde me consta) correntes. Mâno, pres´tenção: Promessas para 20075 Coisas Que Me Deixam Feliz, são os temas. Considerando o fato de que 2007 já tá pra lá de velho, e que não me ocorre nada que me deixe realmente feliz, creio que começar a fazer promessas que já deveriam estar sendo cumpridas a essa altura, e dissertar sobre uma incógnita não sejam exatamente o que eu chamo de post interessante.

Mas, no contexto geral, eu não estou com a razão. A corrente das promessas me foi enviada dia 9. Teria dado tempo de respondê-la. Quanto às coisas que me deixam feliz, admito que é só frescura. Todavia, vale dizer que frescura minha não é uma frescura qualquer. Quando estou fresca com determinada coisa, ela pode acabar se tornando uma problemática muito maior do que ela própria teria a ambição de se tornar. Só pra dar uma idéia do que se passou pela minha cabeça: a corrente poderia se chamar 'cinco coisas que me agradam' ou 'cinco coisas que não me deixam nada feliz', afinal, a felicidade em si é um estado de espírito, e felicidade e estado de espírito (ou ainda, a minha felicidade e o meu estado de espírito) não são assuntos fáceis de se escrever sobre. Ainda mais quando se trata se felicidade, esse conceito ligeiramente flutuante. Tipo, se eu realmente começasse a escrever sobre isso, eu não iria ficar satisfeita, porque saberia que quem tentasse ler não entenderia o que eu quis dizer, o que é muito frustrante. Ocasionalmente até escrevo, mas quando leio, às vezes nem eu entendo exatamente o que aquilo representa. Aí sou obrigada a fingir que entendi, só pra não me deixar brava. Sacou a complexidade da parada?!

Mesmo assim, agradeço muito aos (termo para 'dono de blog' - que não seja 'blogueiro', por favor - no plural)* que lembraram de meu humilde ser,  convidando-me às tão amigáveis correntes. Ninguém mandou ficarem amiguinhos de uma (o termo, novamente) tão chata. 

* Não é blogueiro (céus, como não gosto dessa palavra), nem responsável, nem moderador. Eu SEI que existe o termo que eu quero. Pronto, vou ficar pensando nisso até dormir, hoje. Argh. E se você leu o parágrafo anterior substituindo os parênteses por 'blogueiros/blogueira', respectivamente, eu vou descobrir, e você se verá comigo, camarada.



Escrito por Cíntia Freitas às 21h16
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A polícia

 

"- Alô.

- Quem é?

- É a Cíntia. QUEM É?  (como se eu não soubesse)

- É a polícia.

- Oi, vó.

- Quando falar que é a polícia você já sabe que sou eu. (se a polícia ligar de verdade um dia, vai ser difícil acreditar)

- Ah, jura?! Nossa, que barulho é esse?

- É a televisão.

- Abaixa isso! Pra quê tão alto?

- Hã?!

- ABAIXA A TV! PRA QUÊ TÃO ALTO?!

- Ah, você sabe que eu estou meio surdinha, né?"

 

E continua: 

 

"- Nossa, tá calor... Eu estou só de calcinha...

- VÓ!! Eu realmente não precisava desse tipo de informação!!

- Ué, eu estou sozinha aqui, ninguém está me vendo.

- É, mas agora EU sei.

- Ah, mas eu sou bonitinha, não sou?! Só de calcinha, então...

- VÓ!!!"



Escrito por Cíntia Freitas às 18h56
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Falta de noção

 

Ontem, lá pelas duas da manhã, aqui estava eu, em frente ao computador, praticamente histérica. Estava tendo um daqueles momentos de extrema vontade de escrever, junto com um daqueles momentos em que tudo que eu pensava era assunto. Leia-se: coisa rara. Mas, como eu não me sinto confortável em postar de madrugada (nem me perguntem o por quê), anotei algumas dessas coisas no papelzinho companheiro de todas as horas. E é por isso que o post de hoje vai ser simplesmente aleatório. Dividido em tópicos, para não ficar assim, tão sem nexo.

  •  Todos à mesa, meu pai sai para pegar alguma coisa e volta com um envelope para a minha irmã:

          - Ó, chegou hoje.

          - É, eu vi. (abrindo o envelope, puxando o cartão lá contido, e começando a ler o dito cujo) 'Tenha um aniversário...' EI! QUE DIA É HOJE?!

          - Nossa, a dentista lembra do seu aniversário e você não. 

  • Devo admitir que eu também esqueço do meu aniversário com o inacreditável freqüência.
  • A palavra 'congratulação' realmente existe.
  • Conversando no MSN, me deparo com o adjetivo 'nipônica'. Na hora, eu fiquei extremamente indignada, mas depois lembrei que esse é um adjetivo que realmente exite, também.
  • Eu gosto mesmo de assistir filmes, e também gosto mesmo de arroz com batata palha. E eu também esqueço os horários dos filmes que quero ver, o que me obriga a ir dormir ainda mais tarde, para assistir a reprise.
  • Mas tudo isso, desde a questão do aniversário (que ocorre em janeiro), até as reprises de filme, se justificam com apenas uma palavra: férias.
  • E férias implicam em falta de noção de tempo, vocabulário, memória e, como ficou claro, coerência.


Escrito por Cíntia Freitas às 23h22
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Cinema, canecas e roupas

 

Cinematograficamente falando, o personagem Hercule Poirot, da minha mais nova companheira de férias Agatha Christie, está coberto de razão. Tudo é artístico demais hoje em dia. Os objetos são retratados de modo a parecerem totalmente diferentes do que são na realidade. Ainda não conheço bem o tal de Hercule, mas estou concordando muito com ele ao longo dessas quatro ou cinco páginas iniciais do livro.

Os meus sapatos não fazem o mesmo barulho, a caneca não contém a mesma deliciosa bebida, o meu cabelo não se solta bonitinhamente, minhas roupas não são, definitivamente, tão confortáveis. Ou me contento em não reparar em nada disso, ou sempre termino de assistir o filme extremamente desapontada com os meus pertences.



Escrito por Cíntia Freitas às 01h10
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Dia 31

Nas férias eu costumo perder a consciência de tempo. Perguntar o dia da semana para mim, durante as férias, é inútil. Querer saber o dia do mês, então, nem se fala. Há uns três dias eu acordo pensando: "- Nossa, já é dia 31". E é por isso que antes de vir aqui escrever eu verifiquei em pelo menos duas fontes a data do dia de hoje.

Feliz Ano Novo!



Escrito por Cíntia Freitas às 19h49
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A lagartixa

 

O milagre da vida acontece: Nasce o mais novo ser vivozinho. Aprendendo a lidar com as aventuras que a recente vidinha lhe proporciona, é capturada na parede. E até agora a lagartixa está lá, MUITO contra a minha vontade.

Minha irmã, levemente entediada com a nossa super programação de férias, resolveu adotar uma lagartixa. O que é um absurdo, porque não importa o quão chato está o seu dia, prender um ser vivo não deveria ser uma opção de divertimento. Mas essa história foi além, minha irmã criou um laço afetivo com a tal lagartixa, deu até bala para a coitada comer.

Começa a agonia de ontem a noite (noite em que a inocente lagartixa foi presa):

"- Mãe, eu capturei um mosquito para ela, só que ela não está querendo comer, na verdade ela está com calor. Mas tudo bem, porque eu coloquei um algodão úmido para ela. Ela tá assim ó."

Chegou um certo momento em que eu tive que intervir, já afirmando que ia soltar o animal quando todos estivessem dormindo:

"- Ela não é sua. Ela é do meio ambiente.

- É minha, sim, Cíntia.

- Ah é! Tem o seu nome escrito nela?

- Eu posso escrever!

- Ela tem certidão de nascimento, carteira de identidade?

- Eu posso fazer! "

Mas eu não desisti assim tão fácil:

"- Pensa um pouco. Ela acordou hoje, se espreguiçou e pensou: '- vou dar uma voltinha.' , e aí vem você e prende ela. É muito triste. E os pais dela, e o resto da VIDA dela?

- Os pais dela... aff, Cíntia, a gente está falando da família da lagartixa, cala a boca, vai."

Eu olhei para dentro do cativeiro, e falei:

"- Olha só isso, ela tá até preta de desgosto.

- Ela já era preta, idiota."

Eu continuei no caso, afinal, sou uma defensora dos animais. Disse que ia soltá-la, e ponto final. Recomecei o discurso sobre a cadeia alimentar, fauna brasileira e todas as outras coisas, eu venceria pelo cansaço. Chegou o meu pai:

"- Cíntia, pára de encher o saco.

- Não sou EU que estou enchendo o saco. Eu só não quero que a lagartixa sofra. Eu vou soltar e pronto.

- Se você soltar, você vai ficar de castigo, sem poder fazer nada, pelo resto das férias."

E foi aí eu entreguei os pontos. Minhas férias já estão chatas o suficiente podendo "fazer as coisas". Peguei o pote, olhei para o pobre animalzinho e falei para a minha irmã:

"- Ela tá na mesma posição há muito tempo. Acho que ela morreu."

A minha irmã pegou o pote da minha mão.

TOC, TOC (no plástico do pote) - nada. Momentos de tensão.

"- Xi" - disse a, até então, assassina. "- Se mexeu! Ufa! Está viva."



Escrito por Cíntia Freitas às 18h41
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